Norsul espera expandir além do mercado de navegação

Matéria da Revista Portos e Navios mostra que empresa criou diretoria de novos negócios para prospectar oportunidades de diversificação no transporte integrado.

Norsul espera expandir além do mercado de navegação

Por Danilo Oliveira, Revista Portos e Navios

A Norsul criou uma diretoria de novos negócios para prospectar novos mercados e ampliar a fatia da empresa, não somente no mercado de navegação. O diretor de novos negócios da empresa, Gustavo Paschoa, disse que a criação da diretoria acompanha a estratégia iniciada há dois anos com objetivo de estruturar a companhia com olhar para novos mercados e diversificação de atividades logísticas a nível nacional e internacional. A nova área visa integrar soluções para os atuais clientes e ampliar a atuação da Norsul em novas frentes como a multimodalidade de transportes, operação de terminais portuários próprios e de terceiros, armazenagem, centros de distribuição, serviço de feeder e distribuição de produtos de porta a porta.

Paschoa, que veio do mercado de longo curso e tem passagem em multinacionais da área de logística, contou que a empresa está atenta ao rápido crescimento do transporte de contêineres no mercado de feeder e que a empresa pretende participar de alguma maneira de operações associadas ao longo curso. A companhia aposta em soluções logísticas para novas demandas de supply chain de clientes de diferentes segmentos econômicos. Ele observa que existe uma série de produtos destinados ao mercado exterior, como celulose, bauxita e chapas de aço.

A meta da Norsul é dobrar de tamanho até o final de 2023 em atividades complementares à navegação e dobrar o faturamento com o modal marítimo. A empresa avalia aquisições e joint ventures com outras organizações que possam agregar a essa logística. Paschoa destaca o aumento de 192% dos investimentos no ano passado, em relação a 2019. “Quase triplicamos os investimentos em estruturação e área, renovação de frota, tecnologia, novos sistemas e integrações”, destacou o diretor. Para 2021, o orçamento prevê manter o crescimento dos investimentos na faixa de 90%.

A ideia é consolidar a companhia, já bem consolidada no transporte de granéis por cabotagem, conectando-a com uma logística integrada com transporte terrestre (rodoviário e ferroviário), e conexão em terminais portuários, complexos logísticos e centros de distribuição. Ele explicou que, diferente de outras organizações que utilizam a logística integrada para proteger o modal marítimo, a Norsul aposta na diversificação para integrar soluções logísticas a seus ativos, sem que seja um fator limitante.

A Norsul investiu em um terminal marítimo em São Francisco do Sul (SC), que deve entrar em operação em 2022. O terminal marítimo Mar Azul obteve licença ambiental em 2020 e abriu concorrência para contratação do epcista. Inicialmente, o empreendimento funcionará como centro de armazenagem e distribuição, até que possa iniciar as operações com navios. O cronograma prevê começar a operar a unidade como armazém e centro de distribuição regional em 2021 e como terminal marítimo no final de 2022, quando terão início as atracações. Com o futuro terminal de uso privado (TUP), a Norsul espera ter melhor controle de custos e apresentar aos clientes custos mais otimizados.

Com 57 anos, a Norsul se considera uma empresa sólida, com conhecimento dos principais portos brasileiros e em crescimento. Paschoa disse que, mesmo com a crise, a empresa cresceu no ano passado. A meta é continuar crescendo ano a ano e se tornar referência em cabotagem e em logística integrada. Entre os segmentos de cargas com potencial estão siderurgia e granéis sólidos, em que a empresa já atua, celulose, madeira, veículos automotivos e químicos. Hoje, a empresa já faz cabotagem com navio de transporte de produtos químicos. Paschoa contou que a empresa busca entrar em alguns segmentos mais industriais oferecendo essas soluções integradas.

Parte dessa estratégia de diversificação já se deu com a linha de ‘short feeder’ entre o Porto do Rio de Janeiro e o Porto do Açu, no norte fluminense. Além da linha no Rio de Janeiro, a Norsul olha para possíveis oportunidades similares de linhas de feeder em portos da região Sul. A empresa também estuda alternativas em portos do Nordeste em que a empresa vislumbra oferecer suas embarcações com custo mais baixo. Paschoa destacou que a empresa busca oferecer opções sustentáveis e que reduzam custos na cadeia de suprimentos. Paschoa destacou que a Norsul, em parceria com a empresa de reflorestamento Biofílica, foi uma das primeiras empresas de navegação a neutralizar 100% das operações e a emitir certificação internacional para clientes por viagem.

A Norsul destaca que vem num processo de renovação da frota e das emissões de poluentes. A idade média da frota da companhia diminuiu de 13,9 anos em 2019 para 13 anos em 2020, entrando em 2021 com idade média de 11,6 anos. Nos últimos anos, a empresa optou por embarcações com utilização multipropósito, como o navio Vitória-Bay, que possui porões com capacidade de transportar carga geral e até cargas de projeto. Sobre novas aquisições, ele disse que o mercado de navios é muito dinâmico e que eventuais embarcações a serem incorporadas à frota podem vir de diferentes mercados. Os principais, segundo ele, costumam ser da Ásia.

A empresa acompanha as definições do BR do Mar, entre as quais sobre a quantidade obrigatória de marítimos brasileiros, que representa um custo operacional relevante. Em contrapartida, a avaliação é que o programa é importante para o desenvolvimento da navegação. “Vemos com bons olhos. Quanto mais o país conseguir aproveitar a cabotagem, melhor. Isolando a parte de combustíveis (operações do sistema Petrobras), temos um percentual de utilização da cabotagem pequena. Num país com uma costa imensa como a nossa, temos que aplaudir medidas de promoção da cabotagem”, avaliou Paschoa. Ele ponderou que a cabotagem em si não reduz os custos sozinhos se não houver investimento em terminais marítimos, centros de distribuição e se o próprio modal rodoviário não estiver bem gerenciado para não agregar novos custos nas pontas.

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